segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Mulheres
"Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estupidas"
( Frase atribuída a António Lobo Antunes)
Hoje não me apetece falar do estado do país. De manhã, estive no programa Fatima a comentar o aumento das taxas moderadoras. Por isso, já desabafei sobre o quotidiano socio-político da terrinha. Prefiro ocupar-me dum mail que me enviaram com a frase que cito acima. Tenho muita admiração pelo indigitado autor, mas jugo que a afirmação não respeita apenas as mulheres. Porque esquecer um homem inteligente dá, também, um trabalho imenso. E, se houvesse verdadeira igualdade de sexos, seguramente que muitas de nós confessariam quantos homens estúpidos esse esquecimento lhes teria custado. E suportar homens menos dotados intelectualmente, é capaz de ser muitíssimo indigesto! O problema é que os homens só na teoria é que apreciam mulheres inteligentes. Na prática, isto é no quotidiano, preferem, quase sempre as outras, que dão manifestamente muito menos trabalho. Durante anos a inteligência foi, para mim, junto com a cultura, a condição indispensável do meu interesse por alguém. Hoje, com muita vida vivida, dou primazia ao carácter. Porque aquelas sem este, não têm qualquer valor!
H.S.C
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
O que é que nos aconteceu?
Adoro Portugal. Mesmo hoje, quando há mais razões para sair do que para ficar. Porque fiquei quando podia ter saído, penaliza-me e entristece-me quando o vejo diminuido, dependente e incapaz de reagir. Diminuido face aos parceiros europeus da linha da frente. Dependente do exterior nas exportações e no investimento estrangeiro, que não param de descer. Incapaz de reagir ao limitar-se a expressar o politicamente correcto, como se uma "Pide Light" nos vigiasse e controlasse. Julguei, um dia, que este estado de espírito só se verificava nas chamadas ditaduras. E que, com a democracia instalada, nunca tal fosse possível. Porque, pensava eu, uma revolução não se faz apenas para ter mais liberdade. Faz-se, também e sobretudo, para que todos possamos viver melhor... O que é que nos aconteceu? Somos, de facto, mais livres. Mas somos melhores? Vivemos em melhores condições? Temos mais educação? Somos mais cultos? Valorizamos mais a excelência? Temos valores mais autênticos? Receio que a resposta a estas perguntas não seja a mais animadora. Pior, receio que alguém se preocupe muito com este tipo de questões.
H.S.C
sábado, 24 de janeiro de 2009
A idade da inocência
A idade, diz-se, na maioria dos casos traz sabedoria. Não sei se será esta exactamente a expressão que traduz o que ela me trouxe. Diria antes que, no meu caso, ela limou asperezas de feitio, alargou a tolerãncia em relação às minhas diferenças dos outros, deu mais valor ao tempo, enfim pacificou-me. Não que fosse belicosa por natureza. Mas, em várias ocasiões, tenho hoje a noção, tudo para mim era essencial. E não era. Uma das formas de que se reveste esta minha pacificação tem mais que ver com o modo como me relaciono com os outros do que com a forma como vivo. Devo seguramente aos filhos e aos netos algo deste percurso. Mas também a alguns amigos que infelizmente já não tenho comigo. Mas outros ainda cá estão. E, porque são mais novos, ainda têm a capacidade de me ensinar muita coisa. Que gosto manifestamente de aprender. Ou seja, o passar dos anos se me não tornou mais sábia, teve pelo menos o condão de me fazer voltar à idade da inocência!
H.S.C
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Benjamin Button
Fui este fim de semana ver a história de Benjamim Button, protagonizada por Brad Pit e Cate Blanche. Não gosto do primeiro como actor e, ao contrário, sou fã da segunda há muito tempo. Apesar dos intelectuais de esquerda darem apenas uma estrela na classificação, eu, por mim, dar-lhe-ia, no mínimo, três estrelinhas. O guião parte de uma ideia original: um ser que nasce velho e que ao longo da vida vai rejuvenescendo até se tornar, de novo, bébé e morrer. Pelo meio há um amor inicialmente desajustado entre o jovem velho e uma uma adolescente, que depois se ajusta quando ambos têm a mesma idade e que volta a desajustar-se quando a mulher envelhece e o protagonista se torna criança. Esta é o guião base. Mas o filme trata de outras questões ligadas ao factor tempo e aos acasos da vida, ou seja àquilo que poderia ter acontecido se esses ditos acasos se não tivessem verificado. E fala, ainda, do modo como as relações entre as pessoas que se amam evoluem. Não será um filme de autor, como agora costuma dizer-se. Mas trata-se de uma estória bem contada, de uma fotografia excelente e de uma boa interpretação. E ver Cate Blanche é já de si uma sessão cinematográfica ganha!
Helena Sacadura Cabral
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Contrato
Começo por dizer que sou amiga pessoal do Nicolau Breyner. Mas isso não me impede de tentar ser objectiva relativamente ao seu trabalho. Aos 68 anos o Nico estreia-se como realizador. O filme chama-se "CONTRATO" e é uma adaptação livre de uma história de Diniz Machado. Não pretende ser uma obra de autor. Apenas visa contar uma história. E fá-lo bem. Por vezes tive mesmo a impressão de estar a ver uma "fita" feita no estrangeiro. A fotografia é boa, a direcção de actores também, o ritmo nunca fraqueja e como o saudoso mestre do suspense o Nicolau também desempenha um pequeno papel. O cinema nacional precisa de se tornar uma indústria. Lucrativa de preferência. Até para que o cinema independente possa, também, sobreviver. CONTRATO é uma excelente contribuição para tal objectivo. E nós estamos de parabéns!
Helena Sacadura Cabral
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
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